1) Explique e exemplifique os diversos passos do método científico: observação, hipóteses, experimentação, lei e teoria.
2) “Uma experiência da física não é simplesmente a observação de um fenômeno; é, além disso, a interpretação teórica desse fenômeno”. A partir da citação, explique porque na ciência não há “fato bruto”.
3) Relacione o trabalho do cientista quando cria uma hipótese ao trabalho do artista.
O livro "Convite à Filosofia" de Marilena Chauí também poderá ajudá-los:
Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado de sua irmã e não ter nada para fazer: uma vez ou duas ela dava uma olhadinha no livro que a irmã lia, mas não havia figuras ou diálogos nele e “para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?”
Então, ela pensava consigo mesma (...) se o prazer de fazer um colar de margaridas era mais forte do que o esforço de ter de levantar e colher as margaridas, quando subitamente um Coelho Branco com olhos cor-de-rosa passou correndo perto dela. (...) o Coelho tirou um relógio do bolso do colete e olhou para ele, apressando-se a seguir. Alice pôs-se em pé e lhe passou a idéia pela mente como um relâmpago, que ela nunca vira antes um coelho com um bolso no colete e menos ainda com um relógio para tirar dele. Ardendo de curiosidade, ela correu pelo campo atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo da cerca. No mesmo instante, Alice entrou atrás dele (...). (As aventuras de Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll, 2005).
Em nossa primeira aula você iniciou uma viagem fantástica através do conhecimento e, se não percebeu, tirou o Coelho da Cartola. Psiu, você percebeu? Talvez você não tenha percebido porque não viu o Coelho ou será que viu? De qualquer sorte, ele já saiu da cartola e agora está a correr afoito, a te incomodar... O que fazer agora? Ficar parado tecendo “um colar de margaridas sem o esforço de colhê-las?” Vai navegante, avante!!! Vá à procura do coelho, pois o tempo avança... Quem sabe na jornada você não adquire dons mágicos?
Hei, o coelho te convida a conhecer um novo mundo. Um mundo incrível... Hei, o coelho te convida a conhecer, como fez com Alice, basta segui-lo. Mas o que é conhecer? Isto é possível? Existem meios ou formas de se conhecer? Se existem meios ou formas de se conhecer, como procedem para chegar ao conhecimento? E uma forma é mais importante do que outra ou são complementares?
Prezados e prezadas estudantes, as questões supracitadas começaram a ser discutidas em nossa primeira aula. Você percebeu? São questões relevantes e que foram fundamentais para o desenvolvimento da humanidade, você sabia?
Quero conversar mais sobre o assunto em nossa segunda aula. Vocês poderiam me acompanhar ao campo, colher margaridas e tecer um lindo colar?
Ora, muitos fazem uma outra pergunta: afinal, para que Filosofia?
É uma pergunta interessante. Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por
exemplo, para que matemática ou física? Para que geografia ou geologia? Para
que história ou sociologia? Para que biologia ou psicologia? Para que astronomia
ou química? Para que pintura, literatura, música ou dança? Mas todo mundo acha
muito natural perguntar: Para que Filosofia?
Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos
estudantes de Filosofia: “A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o
mundo permanece tal e qual”. Ou seja, a Filosofia não serve para nada. Por isso,
se costuma chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no
mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são
perfeitamente inúteis.
Essa pergunta, “Para que Filosofia?”, tem a sua razão de ser.
Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma
coisa só tem o direito de existir se tiver alguma finalidade prática, muito visível e
de utilidade imediata.
Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, pois todo mundo imagina ver a
utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação científica à
realidade.
Todo mundo também imagina ver a utilidade das artes, tanto por causa da
compra e venda das obras de arte, quanto porque nossa cultura vê os artistas
como gênios que merecem ser valorizados para o elogio da humanidade.
Ninguém, todavia, consegue ver para que serviria a Filosofia, donde dizer-se: não
serve para coisa alguma.
Parece, porém, que o senso comum não enxerga algo que os cientistas sabem
muito bem. As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças
a procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade,
através de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos nos
conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os.
Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na
existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento,
na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos
conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados.
Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre
teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são
questões filosóficas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é
a Filosofia quem as formula e busca respostas para elas.
Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da
Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofo. No entanto, como apenas os
cientistas e filósofos sabem disso, o senso comum continua afirmando que a
Filosofia não serve para nada.
Para dar alguma utilidade à Filosofia, muitos consideram que, de fato, a Filosofia
não serviria para nada, se “servir” fosse entendido como a possibilidade de fazer
usos técnicos dos produtos filosóficos ou dar-lhes utilidade econômica, obtendo
lucros com eles; consideram também que a Filosofia nada teria a ver com a
ciência e a técnica.
Para quem pensa dessa forma, o principal para a Filosofia não seriam os
conhecimentos (que ficam por conta da ciência), nem as aplicações de teorias
(que ficam por conta da tecnologia), mas o ensinamento moral ou ético. A
Filosofia seria a arte do bem viver. Estudando as paixões e os vícios humanos, a
liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor limites
aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na
companhia dos outros seres humanos, a Filosofia teria como finalidade ensinarnos
a virtude, que é o princípio do bem-viver.
Essa definição da Filosofia, porém, não nos ajuda muito. De fato, mesmo para ser
uma arte moral ou ética, ou uma arte do bem-viver, a Filosofia continua fazendo
suas perguntas desconcertantes e embaraçosas: O que é o homem? O que é a
vontade? O que é a paixão? O que é a razão? O que é o vício? O que é a virtude?
O que é a liberdade? Como nos tornamos livres, racionais e virtuosos? Por que a
liberdade e a virtude são valores para os seres humanos? O que é um valor? Por
que avaliamos os sentimentos e as ações humanas?
Assim, mesmo se disséssemos que o objeto da Filosofia não é o conhecimento da
realidade, nem o conhecimento da nossa capacidade para conhecer, mesmo se
disséssemos que o objeto da Filosofia é apenas a vida moral ou ética, ainda
assim, o estilo filosófico e a atitude filosófica permaneceriam os mesmos, pois
as perguntas filosóficas - o que, por que e como - permanecem.
(Texto extraído do livro "Convite à Filosofia", da Profa. Marilena Chauí)
O nosso primeiro encontro, o nosso primeiro "banquete" foi especial. Agradeço pelo carinho, pela participação e empenho. Deixo um forte abraço e desejo a todos e a todas fortuna nos caminhos que irão trilhar através do (auto)conhecimento. Como diz Kalil Gibran em "O profeta": "Vosso coração conhece em silêncio o segredo dos dias e das noites. Mas vossos ouvidos têm sede do som do conhecimento do vosso coração. Sabereis em palavras o que sempre soubestes em pensamento. Tocareis com vosso dedos o corpo desnudo dos vossos sonhos..." Por isso, eu vos digo, deixe o conhecimento de seu "coração" se manifestar em ações em suas vidas.