Quando as palavras caem
em completo abandono
e o coração não consegue
alcançar os sonhos,
a alma do aflito
já não se pergunta
e absorvida do ser natural,
não homem, bicho,
não consciente, mas agente,
revira o que sobrou
da sociedade entorpecente.
Paradoxo doentio,
também entorpecida
pela SIDA
que carcome
nossa terra gentil,
a cidade se divisinha,
mas se enxerga
muito mal.
Para salvá-la
criam espaços de ignorância;
a praça que outrora era do povo,
já não pertence às massas
e o com dor ansioso as rodeia.
“Loucos!” – O bardo clama.
“Precisam salvar as pessoas.”
Mas o sol que pulsa,
arde, com a mesma chama,
acorda os pássaros e as flores,
mas não as pessoas.
Porque será?
Fábio Carvalho Nunes
Fábio Carvalho Nunes
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