O amor quando dura acaba
A semente quando morre nasce
A vida quando termina eterniza
A fome quando pega solta
A beleza da juventude apavora
E o seu sorriso em mim chora
Tenho pavor quando sorrio
E alegria quando choro
A dualidade unifica
As partes e o todo
A evolução e o perfeito
A razão e a emoção...
Quem me dera conhecer tudo
Mas o que conheceria seria nada
Porque se conhecer tudo fosse possível, na verdade não conheceria
Porque para conhecer, tudo deveria ser imutável
E o mutável que ilumina a consciência não existiria
E eu, como Deus, não conheceria
Porque não teria consciência,
Apenas seria...
Seria como árvores,
Com os pés na terra
E os pólens nas nuvens
Ou como um pássaro,
Com o coração nos ares
E estômago nas veredas, nos rios e nos mares
Seria como uma estrela que apaga ou alumia,
Como a montanha que anuncia
As secas e as tempestades,
Ou os rios que correm sem dizer que são
Seria como a música da estação
Quente ou fria,
Seria, apenas seria...
Por isso eu referencio a natureza
Que está fora de si como Deus,
E a inteligência sem sentido que está dentro de mim,
Porque ela tudo sabe, sem saber.
(Fábio Carvalho Nunes)
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